domingo, 12 de agosto de 2018

PENSO NELES...


Hoje é domingo com cheiro de pai.

Acordo e penso no meu e sinto saudades.
Penso em outros pais de coração que por mim passaram e também sinto saudades.
Não estou triste, apenas recordo.
Fui ao supermercado e vi um movimento diferente.
As ruas silenciosas de todos os domingos tinham gente, música, filhos e pais.
Eu me vejo em outros tempos de mesa cheia, de gente rindo, do meu pai abrindo os presentes e o sorriso franco.
Eu me lembro do meu sogro que não me deixou, mesmo quando seu filho o fez.
Eu me lembro também do meu velho e bondoso vizinho que deixava uma cesta de verdura em minha porta sempre que voltava do seu sítio.
Eu não tive a alegria de conhecer meus avós.
E assim são as recordações, algumas alegres e outras tristes.
Neste dia de domingo movimentado para muitos, eu me recolho nos meus pensamentos e agradeço aos pais que por minha vida passaram.
Agradeço pelos momentos de amparo e ensinamentos.
Foram bons os momentos alegres e foram necessários os momentos difíceis.
Não tenho porque me sentir triste, porque se hoje estou levando a vida da melhor maneira que posso é porque eles me levaram naqueles muitos dias que eu ainda não sabia tomar a direção acertada.
Até hoje eu me pergunto o que fazer, mas, não sei como, as coisas vão se ajeitando. Será que eles ainda olham por mim?

Joyce Pianchão


domingo, 29 de julho de 2018

Segunda-feira


 

Segunda-feira tem jeito de recomeço.
Recomeço da semana, do planejar, do fazer, do ser.
Onde vou?
Vou ao encontro da vida.

Joyce Pianchão

domingo, 22 de julho de 2018

MUDANÇAS QUE A VIDA PROVOCA

A vida me provoca o tempo todo.
Ela me dá um tempo de repouso e eu vivo os dias tranquila.
Um dia, porém, acordo assustada e tudo está revirado, eu me descontrolo, o chão foge dos meus pés.
Com o tempo reencontro equilíbrio e encaro de frente, com uma força que desconheço de onde vem.
A vida me mostra que as mudanças de tempos em tempos são necessárias. 
Descobri que eu estava acostumada até com o que já não me fazia mais bem...
Eu revejo coisas guardadas. Jogo tristezas fora. Descarto lembranças. Dou uma sacudida, espanto o medo.
Levo comigo quase somente o necessário. Carrego o presente comigo.
Eu me vejo então em um novo lugar.
Estou surpreendentemente feliz por ser neste momento uma desconhecida.Sem interrogações, sem gente batendo na porta, sem telefone tocando.Sem história para continuar a contar. Recomeço a vida aos sessenta e dois anos.
 Pode isto?
Acredito que sim! 
Mais uma nova descoberta eu incluo na minha história pessoal: Não preciso viver somente das recordações, tenho o presente que a vida me permite construir.
Faço coisas que há muito não fazia. 
Quero dar cheiro à casa nova e faço um bolo. Quanto tempo não sinto o cheiro do bolo assando, do bolo que eu fiz. Só eu sei o que me fez ficar longe de alguns prazeres que já tive. Mas, retomo à eles aos poucos. e vou me permitindo experimentar sensações boas guardadas em mim. Olha só aí, mais uma da vida!
 Passeio a pé pela redondeza. Comprimento gente que não conheço. Vejo, escuto, cheiro, sinto a energia boa que vem do lugar ou de mim?
Pego o coletivo e vou observando o itinerário, os nomes das ruas e avenidas por onde não passava. Procurando referências para não me perder. Parece que sou turista na minha cidade e me encanto com isto.
Não teve jeito, trouxe alguns medos e receios. Mas, abro as janelas da casa, vejo que o dia se encarrega de esvaziar minha bagagem. O sol me dá ânimo de aos poucos dar um canto para cada objeto. Eu também vou aos poucos fazendo parte do ambiente.
Tudo é novo e tão simples.
No final do dia, cansada dos afazeres, continuo feliz.
É hora de aproveitar os dias tranquilos que a vida me dá...

Joyce Pianchão

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

SERÁ POSSÍVEL?

Uma palavra que me faz acreditar na espera:

POSSIBILIDADE

Possibilidade de tudo mudar para melhor.

Joyce Pianchão

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

ESTAMOS NO MESMO TEMPO

Sou do tempo que acontece agora.
Faço parte do hoje, sou presente.
Vivo as alegrias do dia e as tristezas do mundo.
Tenho passado que passou, futuro eu não sei, alguém tem certeza de estar nele?
A única certeza que tenho é do dia de hoje, do que tenho que decidir nas próximas horas.
Tenho direito de passear na rua, subir no ônibus, ir ao cinema, bater papo no café e... de tudo o mais.
Tenho dever de respeitar os outros, de saber dos meus limites e obedecer a liberdade de quem vive no mesmo tempo.
Então não me pergunte como era no meu tempo e nem acredite que vivo de recordações  (Só faça isto se for uma informação importante para você. Gosto de colaborar).
Estamos juntos no momento, tenho certeza disto, você não?
Amanhã se estivermos ainda neste mesmo tempo conversaremos sobre o nosso passado, este que passamos juntos hoje.
Estamos conversados?

Joyce Pianchão

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

EU NO DIA

Acordo, abro os olhos, me espreguiço e me sinto eu na cama, no quarto, no primeiro pensamento, no relógio que acusa a hora, no amanhecer que entra pela janela, n0 banho, no espelho, no corpo, no perfume, na roupa, na água que tomo, no sabor do café, no pão com manteiga,  no som do rádio, nos cômodos da casa,nos pés que caminham, nos olhos que vasculham, na porta que abro, na chuva fina que cai, no trajeto que sigo, no gato de rua que me espreita, no lugar que chego, no "Bom dia" que dou, nos movimentos que faço, no cheiro que percebo, na pessoa que me sorri, no coração que pulsa, no desejo de ser feliz, de estar viva, sou vida!

Joyce Pianchão

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Eu sou palavra

As palavras saltam à minha frente e dizem de mim.

Espera

Controle

Expectativa

Entrega

Cansaço

Vontade

O que faço com elas?

Eu espero e procuro manter  o próprio controle, que vem não sei de onde. A expectativa provoca em mim cansaço físico, sinto dor nos ombros,pois é grande o peso. Então eu me entrego a própria sorte do dia.
 Eu me faço outras vontades enquanto aguardo o desenrolar da coisa.

Joyce Pianchão